Intercâmbios Livres em Arte

Lastro – Intercâmbios Livres em Arte é pesquisa, viagem, (re)conhecimento e proposta curatorial. É também lugar de informação, comunicação, encontros e trocas. Pretende ser abrigo e rizoma de práticas e reflexões sobre arte contemporânea no contexto da América Latina e suas reverberações além-territórios.

Uma plataforma independente de conteúdo e relações no âmbito das artes visuais construída para potencializar o diálogo entre profissionais latino-americanos e/ou atuantes neste contexto, e para difundir suas práticas para o público em geral. Uma rede de trabalho e pesquisa tramada organicamente por seus usuários.

Artistas, curadores e pesquisadores são convidados a, sem qualquer ônus, disponibilizar material de consulta como imagens de obras, vídeos, áudios e textos, divulgar eventos e participar do fórum de debates, por meio de um cadastro individual. Espaços de arte, instituições, galerias e “projetos” como publicações, websites, eventos periódicos e residências também estão presentes na página.

A partir do pressuposto de que o embasamento histórico, cultural e artístico de um país é importante para o acesso mais horizontal à sua produção artística contemporânea, teóricos da arte e cultura foram convidados à realização de ensaios especiais para o Lastro. Cada país já integrante da plataforma de pesquisa recebeu olhares descritivos e subjetivos sobre seu legado recente.

Lastro ainda contempla a difusão de convocatórias para residências e projetos, divulgação de exposições e eventos de arte, fórum de debates.

A rede iniciada pelo Lastro – intercâmbios livres em arte já inclui oito dos vinte países que formam a América Latina – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador e Paraguai – e foi base de pesquisa para muitas iniciativas.

Mapa do Lastro – Intercâmbio Livres em Arte

Ações Lastro

Lastro conta com mais uma plataforma de difusão e troca, com conteúdo editorial dinâmico, para compartilhamento de diferentes projetos abrangidos pelo mesmo. Lastro desenvolve diversas ações, no âmbito da pesquisa viva e móvel, como:

Centro de documentação: Focado em publicações de arte latino-americanas, o acervo Lastro segue em constante ampliação, somando aproximadamente mil publicações. Pesquisadores interessados em consultar o acervo especializado devem entrar em contato por e-mail.

Pesquisa: Parte de uma proposta que visa ações vivas e contínuas, envolvendo viagens, mapeamentos, proposições e compartilhamentos. Dialogando com espaços, artistas, pesquisadores e contextos locais, se propõem como ferramenta essencial para o entendimento de mobilidades e trocas ativas, dentro de questões Latino Americanas.

Residências: A proposta do programa de Residência, consiste em ciclos de residências, onde os participantes (artistas ou teóricos) realizarão trabalhos e pesquisas pela cidade do Rio de Janeiro, tendo como contexto a vivência em um albergue no bairro da Lapa.

Lastro Edições

Um selo de publicações voltado para a difusão de pesquisas e proposições afins às investigações que o Lastro se propõe, não deixando de lado a atenção por uma programação visual de bom gosto. Ou seja, apesar de um recorte bem amplo, podemos citar como assuntos de interesse a mobilidade na arte; pensamento e ação em redes; agenciamentos; circuito de arte, suas estratégias e mediações; intercâmbios culturais livres; ideias de América Latina; encontros entre arte, política e sociedade; livros de artistas e diários de viagens.

Laboratório de projetos

A proposta do Laboratório de Projetos Lastro é catalisar interações livres em arte através de estratégias de gestão criativas e sustentáveis. O Laboratório presta serviços de consultoria e gestão cultural para artista e organizações em português, inglês e espanhol.

Processo Curatorial

Idealizado como proposta curatorial móvel, agregadora e colaborativa, Lastro – intercâmbios livres em arte tem como norte decisivo para a efetuação de convites a artistas e pesquisadores o mesmo eixo conceitual que justifica sua existência: a arte como via de entendimento e conversas entre mundos, e a compreensão de que na prática e na reflexão são gerados dispositivos para o metamorfismo da vida, gerando ferramentas de fundação para a construção de universos oníricos. Como o artista/curador se posiciona no mundo criticamente?

Artistas, curadores, pesquisadores, articuladores e gestores participantes da plataforma virtual compartilham, através de seus trabalhos, tomadas de decisão e visões críticas diante de problemáticas que envolvem a esfera da arte, como o sistema de arte e suas particularidades, as relações de trabalho, o labor do artista e as reverberações da mesma para além de seu campo de saber, e a esfera da vida – sociedade, cidades, habitação, política, relacionamentos, indivíduos, a dualidade entre público e privado, economia, história, individualidades, sentimentos e características da contemporaneidade em seu alcance mais amplo.

Apesar da grande extensão territorial, Lastro é um projeto de curadoria e é nesse ponto que ele se sustenta como pesquisa e ideologia. Não está totalmente aberto para a entrada de usuários, porém, com eixo conceitual tão abrangente, apoiará seu desejo de vida longa em articulações e sugestões dos próprios participantes.

Sua história

O projeto teve início em 2005, durante uma viagem a Buenos Aires, mas sua primeira ação de pesquisa, ainda com o título inicial de Projeto Intercâmbios, foi realizada em outubro de 2006 na Colômbia, onde estive como curadora residente de Lugar a Dudas – programa de residências localizado em Cali. De lá para cá já são anos de um trabalho continuado de viagens e propostas de intercâmbios entre o Brasil (onde vivo e de onde trabalho) e países já visitados dentro deste marco.

Lastro foi idealizado com o intuito de estreitar relações profissionais e possibilitar caminhos para um maior reconhecimento entre essas culturas. Nesse sentido, seu planejamento de ação consiste em pesquisa viva e em constante auto avaliação conceitual. O desenvolvimento do projeto visa o proveito do processo de acompanhamento das cenas de arte já visitadas, e também um desenho mais adequado para iniciar redes com novos países. A previsão é de visitar por volta de dois países por ano, com vistas ao aprofundamento do trabalho de pesquisa.

Contudo, tão fundamental quanto o empenho para o surgimento de novos laços é a continuidade de projetos paralelos com artistas e colaboradores nos países já visitados. É na possibilidade de realizar movimentos entre agentes ou obras que o Lastro se afirma como vivência coletiva e não somente compartilhamento de conteúdo. Nesse sentido, Lastro – intercâmbios livres em arte já foi base de pesquisa em torno da via latino-americana ou do pensamento sobre a mobilidade em arte para os projetos Arte.in.loco, Mobilidades, Inventando o Lugar – Encontro Sul-americano, Chaco, Exposição América do Sul, 4territorios, residências e exposições no Ceará, Pedregulho Residência Artística, Talleres en El Alto, Rio-Maputo, Translado – Laboratório Chile, Intervenciones en Guayaquil, Encontros de arte e crítica – Nordeste. Algumas propostas foram realizadas na vida real, outras no campo das ideias e ainda no espaço do papel.

As viagens contaram com apoios oriundos de instituições localizadas nos países a serem visitados ou de editais de passagens aéreas do governo brasileiro, sendo a pesquisa (produção de conhecimento) totalmente independente e não remunerada – exceção única foi o trabalho realizado no Equador, que recebeu financiamento do Museu Antropológico e de Arte Contemporânea de Guayaquil.

Embora tenha gerado farto conteúdo (cerca de 100 entrevistas e mais de 200 catalogações), reunido cerca de 300 publicações e estimulado contatos profissionais por via de viajantes indicados pelo projeto ou da difusão de convocatórias e informes, Lastro – intercâmbios livres em arte sempre foi dependente da ação de uma só pessoa, muito por falta de financiamento para a realização de uma plataforma virtual, essência do projeto desde seu início, apesar de muitas tentativas para tanto por vias públicas e privadas.

Aqui estamos!

No início de 2011, o ideal de compartir já se mostrava mais do que urgente. Para que se tornasse, de fato, uma rede latino-americana para contatos profissionais em arte era necessário tornar a pesquisa disponível para o público, ou seja, construir sua plataforma virtual. Neste mesmo período, bases conceituais e expectativas de alcance são redesenhadas. O projeto é batizado com o nome atual durante uma viagem realizada com os artistas Bruno Jacomino, João Modé e Laura Lima.

A um círculo de colaboradores foram sugeridas iniciativas como crowdfunding (financiamento solidário), leilão de obras e trocas de serviços, já que se trata, em sua natureza, de um projeto para o coletivo. Contudo, foi a doação de obras de artistas brasileiros e sua venda a jovens colecionadores cariocas que nos permitiu chegar até aqui.

Os artistas que doaram seus trabalhos são sócios-fundadores da plataforma virtual Lastro – intercâmbios livres em arte, ou seja, são também os responsáveis por sua existência. Com meu profundo agradecimento e admiração por eles ainda acreditarem em sonhos, eu os nomeio aqui:

Alexandre Vogler, Andrei Muller, Angelo Venosa, Brigida Baltar, Bruno Jacomino, Cabelo, Carlito Carvalhosa, Cristina Canale, Cristina Ribas, Daniel Murgel, Daniel Senise, Edmilson Nunes, Elvis Almeida, Ernesto Neto, Franz Manata, Gabriela Machado, Guga Ferraz, Gustavo Speridião, Hugo Richard, Ivan Henriques, Joana Traub Cseko, Jorge Duarte, José Rufino, João Modé, Julia Pombo, Juliana Borzino, Julio Callado, Laercio Redondo, Laura Lima, Lourival Cuquinha, Luiza Baldan, Marcos Cardoso, Marcos Chaves, Maria Klabin, Maria Lynch, Mariana Moysés, Márcia X., Nelson Leirner, Otávio Schiper, Paula Dager, Paulo Nazareth, Pedro Varela, Pontogor, Raul Mourão, Ricardo Basbaum, Ricardo Ventura, Romano, Ronald Duarte, Saulo Laudares, Thais Medeiros, Vicente de Mello e Vijai Patchineelam.

Beatriz Lemos